sexta-feira, 4 de junho de 2010

Defina isso,se o amor morreu.(droga)



'Butterflies have knives,cutting up my insides' (Juliet Simms)




Aquela música que um dia ouviram a manhã inteira embalava agora a despedida,seria a última vez em que se veriam,e era notável a dor cantada em cada uma das vozes,era notável o ardor dos olhares que atormentados desviam-se para evitar aquilo que logo em breve teriam que encarar,encarar mais uma vez e dizer adeus.


-Não consegue imaginar como minha alma ficara absolutamente escassa sem você agora.
-Eu posso ter uma pequena noção,já que eu era absolutamente escassa antes de você ter feito morada em meu mundo.
Em questão de segundos transbordaram alguns vestígios de sentimentos dos dois pares de olhos,era como se tudo conspirasse e organizasse uma petição interior dizendo que não seria possível uma vida existir sem a outra,e de forma adocicada um meio sorriso surgia de uma das faces,e com o tom baixo de voz cantava o refrão da música pausadamente e dando ênfase em trechos que descreviam aquela história.Enquanto cantava,o outro coração desesperadamente bateu como que um grito,desolado e agonizando a falta que sentia precocemente.Então a voz tornou-se uma dor tão imensa que chegava a dor fisicamente ouvi-la.
-Você não pode me deixar,não pode ir desse jeito.
Em meio a soluços e lágrimas os braços envolveram quem chorava,e com um amor tão inocente e profundo chorou em silêncio para não desolar mais ainda aquela pequena criança que estava ali em frente.
-Amor não,não me deixa,pelo amor de tudo que existe nesse mundo,não me deixa,isso seria uma catástrofe.
Sorrindo admirou a entonação e a dificuldade das palavras saírem e com calma respondeu:
-Isso me parece mais uma anástrofe meu amor
-Anástrofe?
-Inversão natural da ordem das palavras.
-Você esta indo embora e ainda quer me dar uma aulinha é isso?
Dois sorrisos.
-Eu prometi a você que jamais irita te esquecer,jurei pela minha vida que ninguém tomaria o lugar que lhe pertence,porque cada dia ao seu lado só me provou o que eu sabia desde o momento que eu te vi,que eu nasci pra te ver feliz,pra te amar,independente de onde eu estiver.
Mais uma vez uma voz ecoada do fundo da garganta,um choro conjurando todos os sentimentos presos.
-E você acha que eu posso ser feliz sem você? Você acha que eu quero ser feliz sem você? Eu só soube o significado de ser feliz quando eu te conheci,minha definição de felicidade é você! Você não é a pessoa boa,que quer o bem de todos? E o meu bem? Você realmente quer? Você se importa comigo?
-Você é mais essencial pra mim do que realmente definem como o próprio essencial.
-Me prove! Fique comigo eu imploro,pelo amor de Deus minha vida não é absolutamente nada sem você,você é a primeira e provavelmente a única pessoa que eu já amei!
Agora as palavras se enchiam de ousadia,cólera e indignação.

-Pelo amor de Deus eu não posso ficar sem você!
-Porque você não me disse isso antes de deixar que tudo acontecesse? É assim? Você desperta o que de melhor existe em mim,e depois me abandona com isso? E me condena a viver com o que você deixou?
-Eu te amo,você sabe disso,mas eu não posso...
-Pelo amor de Deus,não diga que me ama e em seguida estrague isso!

A verdade é que ninguém sabia a dor que existia realmente no interior de cada,era como um fogo que consumia e machucava,mas não curava,ele estaria ali sempre queimando,mostrando a dor,mas nunca a cessando,e na mente de cada era impossível que acabasse,a fonte de dor era praticamente aquela que jorrava o amor,e ambas estariam por todos os dias jorrando da mesma forma,machucando sem curar,como se a cura fosse algo proibido enquanto o amor estivesse junto,era impossível cessar a dor sem acabar com o amor,o amor não sobreviveria sem aquela sensação,sem aquilo que as moviam e as faziam vivas.
Houve uma noite inteira de choro,e um silêncio ao amanhecer,as palavras entregues permaneceram todas no fundo da memória,as obrigavam ficarem ali por um tempo,até poderem serem lembradas sem doerem tanto,por enquanto estariam ali intactas e sem a menor vontade de trazerem as de volta.O caminho todo foi silencioso,só sentia as mãos firmes uma nas outras,era o que restava a fazer,na mente de alguém uma oração simples,um pedido talvez.Na mente de outra tudo aquilo que foi vivido sendo repassado lentamente,os olhos se apertavam para não entregar quem seria a mais fraca agora.
Não houve beijo,houve um pedido que hoje foi esquecido por quem fez,houve um abraço e uma promessa,houve depois um rápido encontro em que apenas se olharam discretamente e trocaram sorrisos.Mas depois viraram as costas e foram embora,embora pra nunca mais voltarem...
Não se sabe muito bem como as coisas estão nos dias de hoje,não fazem muita questão de lembrar,tudo aquilo que é tocado é sentido e ferido,tudo aquilo que é preferível não ser lembrado esta guardado num lugar certo e que não tem o menor desejo de ser vivido e nem encontrado.Acredita-se que alguém se saiu bem,aquilo de desmemoriar realmente funciona,mas o trauma vivido causou tanta dor que quase não não suportável ouvir o nome,então resta apenas umas linhas de dúvidas e sinais que alguma coisa existe dentro de alguém,alguém que restou e que constantemente se assombra com os fantasmas de outro alguém.


Uma carta,nunca terminada perdida entre outras tantas.

'As poucas palavras que você me entregam agora são aquelas que fuzilam meu interior,são aquelas que me adoecem quando eu estou próxima a cura,são aquelas que me fazem querer voltar pra casa,pro meu mundo que antes não existia você.Eu ainda tento escrever e falar de amor,mas eu acho que desaprendi,porque agora eu não consigo mais...'

E do outro lado alguém venceu,e como recompensa ganhou direito a esquecer tudo aquilo que aprejudicou.Mas bem mais próximo do que se imagina alguém com infinitos pensamentos,sentimentos e linhas,tenta derramar sobre o papel o que transborda interiormente,quem venceu na realidade nunca se soube,mas de um lado da ponta da corda existe alguém que se desprende cada vez mais,e no outro alguém que esta fazendo da corda sua própria forca.






Um comentário: